São cinco da manha eh!
Estou a pensar nela. Vejo-a enquanto não me fala, em pensamento.
Não quero.
Grito-a para fora de mim e ainda assim ecoa nos meandros das cavernas do nosso amor – morto.
Raciono toda a espécie de coisas sem sentimento e mesmo sobre a voz pontuada as lágrimas caem.
Hoje sou ridícula.
“ - todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas. “
Sei que não quero mais isto. Que é infelicidade certa e ainda assim amo-a. Nada em poderia acontecer de mais esplendoroso que acordar e sentir os seus braços amenos caídos sobre os meus ombros. O seu rosto adormecido na almofada ladeira.
Dói-me pensa-la. O pensamento exausto de tanta rejeição insurge-se ainda sem sucesso.
Não tenho nada para lhe dar.
Estou vestida de propósitos desfeitos.
Estranhamente fiquei feliz de saber que lhe passei ao lado. A ideia de que algures sorri é muito mais aprazível que a perspectiva de a rever.
Pensei: Decidi bem. Foi melhor assim.
O amor é a única doença que é curável pela vontade de a curar.
Sou uma maquina de fazer obrigações – minhas.
Como a de parar de escrever agora.


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