o alcool
Estou ébria. Pelo titulo suporá por ventura o leitor barris de vinho. No mínimo meia dúzia de votkas. Não. um copo de vinho e um shot. Combustível suficiente para fazer esquecer a vergonha e largar os membros às sonoridades do ambiente.
Sei lá tanta coisa. Tanta gente. Tanta gente tão diferente do que estou habituada. As pessoas à noite transformam-se e o bairro alto é o sitio ideal para ver as pessoas na sua verdadeira essência. Há os amorosos.. que se abraçam intensamente, os excêntricos com os seus oculos de massa, a sua roupa colorida. Sempre providos de acessórios que julgaria terem saido de uma loja de artigos de carnaval. Ir ao bairro é sempre ir a um desfile. Ali se passeiam caras, personalidades, gentes oriundas de todas as classes e credos. A missa de outros tempos.
Todos louvam a Baco sem saber. Inebriados... extasiados.. por vezes literalmente inconscientes.
Posto isto, cumpro o meu objetivo de diversificar os ambientes. Confesso-me insegura. O mal de estar num meio onde as pessoas não falam de computadores, nem de livros - terrifica-me. Sinto sempre que não tenho nada para dizer. Riem-se e por vezes não sei de quê. É uma conversa diferente. Fala-se de tanta coisa sem dizer absolutamente nada. É como se fosse ao fim da noite uma conversa de fim de tarde com alguém com quem se partilha casa. Que fizeste hoje? ontem? os destaques não vêem em revistas, nem saem em blogs. São as vidas das pessoas. Deles dos amigos, dos conhecidos... por vezes dos "relanceados". E riem-se! Riem-se perdida e apaixonadamente.
Tento compreender a dinâmica.. Tento compreender os temas, os gestos, o ritmo.. mas iludem-me. Apeteceu-me tantas vezes fugir. Fugir e esconder-me. Vir para casa programar. Mas não vim. Não posso fugir eternamente das pessoas. De certa forma estava grata simplesmente por me permitirem estar entre eles. Precisamos das pessoas.. Dos outros. De os sentir.. presentes. Por muito ausentes que estejam de alma. É o respirar alheio, o calor alheio, a palavra alheia. Faz trabalhar neuronios que os computadores não teem a capacidade de fazer trabalhar. O computador faz sempre aquilo que lhe mandamos fazer. As pessoas fazem... fazem á maneira delas.
Sempre imprevisíveis! Acrescentam algo a nós próprios.
Bom, de resto a semana não acabou mal de todo. Temos o fim de semana para ler o documento. O chefe mudou de atitude... mas francamente não sei se confio... há qualquer coisa que não bate certo ali que ainda não consegui perceber. Ja temos candidatos ao lugar.. e .. bom aparentemente as coisas estão a encarrilar.. A ver vamos. Só ponho o coração ao largo depois de o software estar entregue e correr sem falhas pelo menos um mês em produção.


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