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As lágrimas caem-nos. Escrevemos na esperança que as palavras apaguem aquilo que sentimos. Fechamos os olhos enquanto os dedos batem as teclas, como uma criança que se esconde cobrindo o rosto com as mãos. Foi tão dificil chegar aqui. Mas olhamos para trás e estamos precisamente no mesmo sitio. Ás mãos das mesmas pessoas, envoltos na mesma paisagem. Com as mesmas lutas. Pensamos em largar tudo e jogar o esforço pela janela. O cansaço não deixa fazer nada, nem deixa descansar. Um turbilhão de emoções aflora-nos á pele e explode em lacerações que os outros podem ver. FDP da doença que nem a tristeza me deixa esconder.
Penso em encherrar tudo e diluir-me num livro. Passar os olhos pelas vidas imaginadas dos outros. As palavras dos outros. Lembrar-me que há mais em estar aqui do que o caminho mais curto entre A e B.
Há 2 anos que não vejo um sorriso que se me diriga inebriado. Descomplicado. Em paz. Que me queira. Os sorrisos que se me dirigem querem morder-me. Trincar-me. Despir-me e largar-me. Não há tempo para mais.
Fecho as portas a tudo para dar ao Cabrão do trabalho. Do curso. Tenho saudades da minha mãe. Saudades de a abraçar e não ter mais preocupações. Sentar-me com ela sem estar a pensar que devia estar na secretaria a trabalhar.
Estou vazia... vazia.. vazia.. vazia.. vazia...
Um dia destes compro um bilhete de avião e vou um fim de semana para fora, sem computador, sem telemovel. Levo-me a mim e ao meu desejo de não saber mais nada do que o lugar para onde vou e o que nele houver para descobrir.


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