Tuesday, January 04, 2011

Merda para as insonias

Não são bem insonias.. são sonos desregulados. Não consigo dormir até ter esgotado todas as forças e não consigo acordar enquanto não as reponho a um minimo. Feitas as contas é o relogio ao contrario. Estou doente. O meu nariz parece um vulcão de muco.

Estava na cama ás voltas com ela na cabeça. sem conseguir respirar convenientemente, não sei ao certo se pela doença fisica se pela outra.

Quanto mais quero não pensar nela, mais dificil é não pensar nela. Racionalmente é uma idiotice. Não pode ser a ultima pessoa com tanto em comum comigo. E se a rapariga não gosta de mim, está no seu direito. Nem é preciso ter razões. Que se a razão service de alguma coisa, nestas coisas do romance... havia muito menos gente solteira ou mal casada e certamente muito mais gente feliz. A razão é contornável. O amor não correspondido é como pisar merda com umas botas da tropa. Por muito que se limpe vão sempre cheirar mal até nos sairem dos pés e serem mergulhadas num balde com detergente e esfregadas com uma escova. A merda neste caso, é que o amor não se descalça.

Chamo-lhe amor e é um acto infame. Sinto que poluo a palavra. Não há maneira de enobrecer esta coisa que sinto. É um cancro. Uma mutação indesejável. Um empecilho!

Apetece-me gritar. Apetece-me gritar, porque qualquer coisa dentro de mim me diz que se gritasse o suficiente, conseguiria deita-lo cá para fora. Como quem espreme uma borbulha infectada.

Queria abrir a ferida e rega-la com alcool etilico. Que doesse tudo de uma vez só. Estou nauseada com o cheiro a merda.

É insuportável! Nada funciona. Nem longe, nem perto. Nem Saber, nem não saber. Nem raiva. Nem tristeza. Nem participar ou estar ausente. Nem o tempo. Nem a consciencia.

Aqueles grandes olhos verdes perseguem-me. Quando se abrem, sinto-me sem derme. Tudo vai directamente á camada abaixo, onde se sente a picada, o rasgo, o toque. A dor aguda, que até a brisa deixa.

Sei que isto passa.. já passou uma e duas vezes. Já passou em tempos. Mas hoje, aqui e agora, fazia os 200kms de joelhos por um abraço.

É pior que hipnotismo, é uma corrente mais forte que aço, é uma trela de querer. Não há inteligência que me resolva, mãos que me resgatem, ombros que me carregem, estradas para onde fugir.

É como uma grande montanha vulcanica, que tempo erode, mas que se regenera. Que a noite não cobre porque se ilumina.

Tenho medo de a encontrar e medo de nunca a encontrar. Tenho medo, porque há sempre espaço para revelar mais daquilo que não sou para ela. Tenho medo dela, porque a unica forma de ir embora é mudar- Tenho medo dela como tenho medo da mudança. Tenho medo, porque gosto de mim. Tenho medo de não encontrar um eu de que goste, que não a ame.

Repugno-me, porque sou dela como um prédio publico abandonado. Desperdiçado a cumprir um proposito sem interessados.

Queria dormir. Mas em mim o que emerge, quando o tudo o resto silencia, é isto. É ela. Pensei que faze-la feliz de outra forma aliviaria o fardo, mas só abriu espaço para pensar em mais formas de o fazer. Objectos, lugares, actividades. Mando-me calar. Ás vezes falo alto sozinha. O gato olha-me sem perceber se é com ele que falo. Ronrona. Ás vezes adormece. Alheio a tudo.
Há dias em que me levanto. Ele fica na cama. Que importa? Ele não tem relógio. Não paga renda. Suponho que não tenha gatas em que pensar.

Que desperdicio imenso de energia...

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